quinta-feira, 9 de maio de 2013

Muller

 Heiner Muller foi um dos grandes nomes do teatro alemão. O dramaturgo deixou legado que envolve o teatro à questões políticas e sociais.
 No ano em que se comemora duas décadas da queda do muro de Berlim e mesma idade das primeiras eleições presidenciais democráticas do Brasil, o dramaturgo, poeta e diretor Heiner Muller completaria 80 anos. Nascido no estado da Saxônia em 1929, o alemão, segundo Martin César Feijó, professor e crítico de teatro, "foi um dos dramaturgos mais ousados da Alemanha Oriental". Sua carreira literária teve início quando o socialismo estava sendo construído na República Democrática Alemã, o lado leste da já dividida Alemanha. Müller é considerado um discípulo e seguidor da obra de Bertold Brecht, com a proposta da "Peça Didática". Brecht tenta com isso incitar a participação do espectador como co-ator e autor da peça.
 Ao estudar a obra de seu mestre, Müller procurou um novo olhar para o teatro, voltado para a história, de olho no futuro. A maneira que o dramaturgo alemão encontrou para transformar a sociedade por meio do teatro foi experimentando este modelo de educação político-estético, com textos fragmentados e não lineares confrontados com a literatura. 
 As adaptações mais conhecidas são releituras de clássicos de Shakespeare, como MacBeth e Hamlet, sendo que a última virou "Hamletmachine" -- na qual aparecem as catástrofes da história e da cultura ocidental, além da crise do artista e intelectual, dividido entre o desejo de se transformar em uma máquina sem dor ou pensamentos e a necessidade de ser um historiador desse tempo conturbado do século XX.
 Mesmo declarando-se comunista, Muller teve uma relação conturbada com o regime e sua obra "A Emigrante" ou "A Vida No Campo em Berlim-Leste" foi censurada em 1961. Quatro anos mais tarde ele foi expulso da Associação dos Escritores Alemães. Já entre as décadas de 1970 e 1980, o dramaturgo vivia na efervescente Alemanha Ocidental. O cenário do lado oeste alemão favorecia as criações artísticas espalhadas pelas ruas e mais intensa ainda nas universidades. A semioticista Lúcia Santaella esteve no "lado de cá" em 1987 e acredita que os moradores da parte ocidental produziam tanto como uma forma de "agradecimento ou punição" pelo sofrimento daqueles que estava vivendo sob o regime socialista.
 Heiner Müller é lembrado como um dos principais autores que refletiram sobre a história recente do país. Nos últimos anos de vida -- ele morreu em 1995 de um câncer no esôfago -- produziu muito pouco, mas falou bastante. As 170 entrevistas concedidas nesse período foram compiladas pela Suhrkamp, lançadas em três volumes, trazendo suas "Obras Completas" em mais de três mil páginas ao todo. No Brasil, a última oportunidade de ver uma montagem de suas obras foi em "Quartett", interpretada pela francesa Isabelle Huppert. A peça é uma adaptação de Müller ao romance "As relações perigosas", de Choderlos de Laclos. Como elementos frequentes em sua obra, o autor discute o socialismo e o valor da Revolução. Com a queda do muro, em 9 de novembro de 1989, Müller torna-se referência do teatro pós-moderno por, principalmente, trazer a política aos palcos.
Fonte: http://www.colheradacultural.com.br/content/20091112013711.000.5-N.php

"Heiner Muller"

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