Com ingressos a preços populares, a temporada no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte será a mais longa do Grupo 3 de Teatro na capital mineira, proporcionando, ao longo de quase um mês, uma relação mais duradoura com a cidade e seu público. A companhia, fundada e dirigida por mineiros radicados em São Paulo, apresentou as três montagens anteriores, A Serpente (2006/2008), O Continente Negro (2007) e O Amor e Outros Estranhos Rumores (2011), em Belo Horizonte, realizando 24 apresentações ao todo.
Na ocasião das apresentações do último espetáculo, o Grupo promoveu uma semana de eventos dedicados a Murilo Rubião. Vinte anos sem o escritor fantástico que contou, além da apresentação do espetáculo, exposição, um colóquio na UFMG e uma mostra de filmes. Mesmo assim, o grupo ainda considera poucas suas ações na cidade natal dos integrantes. "Adoraríamos ter temporadas longas em Belo Horizonte como conseguimos fazer em São Paulo e no Rio de Janeiro. Espero que essa seja a primeira de muitas.", anseia Débora Falabella. Por outro lado, a companhia levou mais de 300 artistas mineiros a São Paulo, em 2008, quando promoveu a Mostra Contemporânea de Arte Mineira. Promover este intercâmbio e reafirmar sua identidade e origem mineira faz parte do escopo da companhia.
O Espetáculo
A ação de Contrações se passa em um único espaço: o escritório de uma grande corporação. A gerente (Yara de Novaes) convoca e solicita a Emma (Débora Falabella), sua funcionária, que leia em voz alta uma cláusula do contrato que proíbe aos funcionários qualquer relação sentimental ou sexual com outro empregado da empresa. Nos encontros seguintes, a gerente, amparada pelo poder que tem, libera suas diferentes facetas para manipular Emma. Para manter seu emprego, a funcionária acaba por se render e danifica sua vida privada. “A gerente não tem história própria, tudo o que ela diz e todas as suas ações estão ligadas aos objetivos da corporação na qual ela trabalha”, descreve Yara de Novaes.
Neste espetáculo, o Grupo 3 de Teatro retoma algumas questões que vêm pautando sua investigação teatral, desde a estreia de A Serpente(2005), e que se mantiveram presentes nos trabalhos seguintes, Continente Negro(2007) e O Amor e Outros Estranhos Rumores(2010). Mais uma vez na trajetória do grupo, o que demonstra a continuidade de suas pesquisas, o texto determina as linhas de ação e a materialidade da cena, tendo o processo criativo detonado pelo trabalho do ator. Além disso, a temática da dominação, da inadequação existencial e das relações humanas é recorrente, assumindo desdobramentos distintos a cada criação. “Existe, por trás das montagens da companhia, um desejo claro de entender o texto de uma forma potente e necessária. Tivemos muitas conversas durante o processo de 'Contrações' e sempre foram conversas que iam além da própria peça, conversas de quem está pensando o teatro, a necessidade de fazê-lo, seus paradigmas; ou seja, questões que dizem respeito à filosofia do teatro – não o teatro máquina, o teatro que deve ser feito, mas o teatro que almeja um outro lugar, que quer descobrir outras formas, e é por isso que me interessa este trabalho, este encontro especificamente”, avalia a diretora, dramaturga e atriz Gace Pâsso.
Fonte:http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=176&cdcategoria=1


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