"Genet"
Jean Genet foi um dos mais originais escritores e dramaturgos franceses do século xx. Autor de uma obra literária na qual expôs uma explícita crueza unida a um profundo lirismo, fruto de atormentada existência. Filho de pai ignorado, foi entregue pela mãe (prostituta) à assistência pública, que por sua vez o deu em adoção a um casal de produtores rurais. Assim, conheceu desde a infância os mais sórdidos aspectos da sociedade.
Aos dez anos de idade começou a cometer pequenos furtos, dai em diante, foi preso diversas vezes. A cadeia, tornou-se a fonte inspiradora de grande parte de sua obra literária e conseguiu o milagre de transformar toda uma existência de miséria, humilhação e sofrimento extremo em literatura de incontestável qualidade.
Uma de suas preocupações essenciais foi certamente a de criar a própria imagem. Seus romances são biografias imaginárias, como também espelhos enganadores a realçar sua imagem. A literatura de Genet é uma permanente celebração do amor homossexual (Genet era homossexual assumido). Toda a galeria de personagem de Genet é composta por cafetões, travestis, adolescentes angelicais e másculos marinheiros, soldados e assaltantes que têm em comum a predileção pelas práticas homoeróticas.
Genet é incisivo, ao afirmar que não escreveu as peças para atacar ou defender quem quer que seja, trata-se, portanto, de fazer uma coisa diferente e não de pretender resolver, pelo teatro, as dificuldades do mundo:
"Ora, nenhum problema exposto deveria ser resolvido no imaginário, sobretudo porque a solução dramática corre para uma ordem social acabada. Pelo contrário , que o mal exploda em cena, nos mostre nus, se possível nos deixe perplexos e contando apenas com nossos próprios recursos".
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| Jean Genet |

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