segunda-feira, 25 de março de 2013

Ionesco

"Ionesco"

 Eugène Ionesco foi um dramaturgo francês de origem romena, considerado um dos maiores teatrólogos do século e um dos criadores do Teatro do Absurdo. Focaliza o caráter incompreensível das relações humanas, o medo da morte, o aspecto tragicômico da existência e a pressão das convenções sociais.
 Com frases absurdas, suas peças falam da impossibilidade de comunicação entre os seres humanos. Nascido em Slatina, na Romênia, passa a infância na França, regressando a seu país em 1925. Gradua-se em francês pela Universidade de Bucareste e volta em seguida para Paris, onde se fixa.
 Eugène era filho de um advogado e foi batizado na religião ortodoxa, à qual pertenceu durante toda a vida. Ainda criança mudou-se com a família para Paris, onde seu pai tornou-se catedrático em leis. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, seu pai voltou para a Romênia, deixando Eugene e sua irmã aos cuidados da mãe. Entre 1917 e 1919, Eugene morou em La Chapelle Anthenaise, cuidando de sua saúde frágil.
 Em 1922, voltou a Bucareste para viver com seu pai. Lá fez seus estudos e começou a trabalhar num banco, em 1926. Eugène cursou a faculdade de francês na Universidade de Bucareste e colaborou com diversos revistas literárias romenas. Em 1934 publicou "Nu!" ("Não!"), uma coletânea de artigos e textos que provocou escândalo no meio literário oficial.
 Em 1936, casou-se com Rodica Burileano. Passou a trabalhar como professor de francês e como instrutor no Seminário Ortodoxo de Curtea de Argis e depois no Seminário Central de Bucareste. Também foi editor das páginas literárias de diversas revistas e jornais diários.
 Dois anos mais tarde, recebeu uma bolsa do governo romeno para estudar literatura francesa em Paris. Durante a Segunda Guerra Mundial, Eugène passou por dificuldades financeiras, mas conseguiu alguns trabalhos eventuais, trabalhou como revisor e traduziu as obras do poeta romeno Urmoz.
 Em 1948 começou a escrever a peça "A Cantora Careca", de humor grotesco e clima obsessivo, que estreou em 1950. Esta anti-comédia, plena de surrealismo verbal, foi uma das principais peças do chamado "teatro do absurdo". Seguiram-se várias outras peças, que marcaram o teatro do século 20, como "A Lição", "As Cadeiras" e "O Novo Inquilino".
 Em 1960 estreou sua obra mais conhecida, "O Rinoceronte". Ionesco tornou-se um escritor de prestígio e em 1971 foi admitido na Academia Francesa. Morreu aos 81 anos, em sua residência, e foi enterrado no cemitério de Montparnasse, em Paris.

TEATRO DO ABSURDO - Foi criado por Eugéne Ionesco, com um livro-texto para o ensino de inglês, que apresentava diálogos entre um casal em que, a pretexto de ensinar o vocabulário de uma estrutura familiar, reproduzia conversas absurdas entre marido e mulher como, por exemplo, esta informando ao marido que eles têm três filhos e que o sobrenome deles é Smith. Ionesco estudava, copiando, sentenças inteiras, desde o primeiro capítulo, com o intuito de decorá-las. Relendo essas frases com atenção, ele não apenas aprendeu inglês, mas descobriu algumas verdades surpreendentes como, por exemplo, que: há sete dias na semana, o que ele já sabia; que o chão fica embaixo e o teto em cima; coisas que ele também já sabia, mas sobre as quais, talvez, não tivesse pensado seriamente ou houvesse esquecido, e que, de repente, lhe pareceram estupendas por serem verdades incontestáveis.
 A consciência do absurdo desses diálogos inspirou Ionesco a escrever sua primeira peça, "La Cantatrice Chauve" (A Cantora Careca), em cuja cena mais famosa dois estranhos dialogam sobre banalidades como o tempo, o lugar onde vivem, quantos filhos têm para, surpreendentemente, descobrirem que são marido e mulher.
 Com essa peça Ionesco inspirou uma revolução importante nas técnicas dramáticas e inaugurou o "teatro do absurdo" ou o "anti-teatro". Esse teatro era realmente um teatro "puro", despojado de convenções, cruelmente poético, arbitrário e imaginativo.
 Em resumo, Ionesco rejeitava a estrutura lógica, o desenvolvimento dos personagens e o pensamento do teatro tradicional, tendo criado sua forma própria de comédia anárquica para expressar a existência sem sentido do homem moderno num universo governado pelo acaso. Em seus textos quase não existe história, nem enredo; não há começo, nem fim; existe, sim, o reflexo de seus sonhos e pesadelos; os personagens não são reconhecíveis, assemelham-se a bonecos mecânicos colocados diante do público; toda caracterização é agressiva e balbucios incoerentes tomam o lugar do diálogo.
 A estrutura de suas peças pode ser comparada ao orgasmo já que segue o esquema da acumulação, da intensificação, da progressão, da aceleração, da proliferação atingindo o paroxismo, quando as tensões psicológicas, os estados de consciência ou situações são intensificados, tornando-se mais ou menos densos, e emaranhados, atingindo o insuportável. Há de haver a liberação capaz de trazer a sensação de serenidade. E é o riso que faz o papel dessa liberação. Por isso suas peças são dramas cômicos, dramas perpassados de humor.
 Ele não queria que suas obras fossem categorizadas como Teatro do Absurdo, prefirindo em vez de absurdo, a palavra insólito. Ele percebeu no termo insólito um aspecto ao mesmo tempo pavoroso e maravilhoso diante da estranheza do mundo, enquanto a palavra absurdo seria sinônimo de insensato, de incompreensão.
Fontes: http://educacao.uol.com.br/biografias/eugene-ionesco.jhtm
www.algosobre.com.br/biografias/eugene-ionesco.html#.UlmIs9I3t5Y
www.desvendandoteatro.com/teatrodoabsurdo.htm
www.dec.ufcg.edu.br/biografias/EugeneIo.html

Eugène Ionesco

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