quinta-feira, 11 de abril de 2013

Artaud

"Artaud"

[Anotações da Cynthia]
Antonin Artoud foi poeta, ator, escritor, dramaturgo e diretor de teatro.
-> Teatro - Instrumento e meio de ação para a reestruturação inteceral da condição humana.
-> Teatro de Bali - "musculatura afetiva" - localização física dos sentimentos. 
- Ator: um atleta da alma.
- Consciência do mundo afetivo
Tempo das paixões = Tempo musical
Respiração: para cada momento ha uma respiração adequada.
-> Modificação na tensão muscular, postura + respiração = Domínio orgânico. Resultando em uma expressão plena.
-> Linguagem elaborada por signos.
-> Intensidade corporal do ator "rompendo com o cotidiano pequeno de nossas vidas".
Gestos purificados, essenciais - viagem ao interior do corpo.
Linguagem física ampliada, criada e executada com rigor e precisão.
"O teatro e seu duplo"; "O teatro e a peste".

O teatro da crueldade e ...
-desenvolver potencialidades orgânicas de forma a ultrapassar o comportamento cotidiano.
Rejeita a supremacia da palavra.
-atores e plateia farão parte do processo ao mesmo tempo.
-a voz deve buscar sua verdadeira linguagem, ser o lugar onde se refaz a vida é diferente da linguagem de palavras cotidianas.
-teatro burgues morto é diferente do teatro das verdades secretas.
    Ritual 
Uma linguagem anterior a todas as linguagens.
Fonemas não semantizados "valor magico das palavras". 
Toda verdadeira linguagem é inatingível.
"a liberdade está no avesso"

Delirio-normalidade-loucura-alucinacao-ritmo-imagens.
-> Contradições
Representar é diferente de apresentar a vida/teatro, que deve levar os homens aos seus porquês.
Um ritual que seja um encontro.
Peso da religião no homem-repressão, imposição, regras morais, normas...

A crueldade é uma necessidade, uma decisão.
Levar o publico ao transe - mas o ator não pode se deixar governar para suas emoções.

Domínio técnico.
Ator dançarino.
"Procuro a razão da palavra e para gesticulação o mito".
Linguagem no espaço, um teatro metafisico, rito a ser reinventado.
->o palco deve se tornar-se um local onde se está em perigo.
->não há teoria elaborada ou ensinamentos - seus textos são 'escritos raivosos'.
->meios cênicos em função de uma ação alucinatória sobre o espectador.
->não há separação palco/plateia.
->cadeiras moveis.
->o espetáculo envolve o público.
->ações simultaneas.
->vibrações sonoras.
->focos de luz.

Artaud recusa inscrever-se na sociedade ou engajar-se politicamente.
Ouvir com os olhos.
Ver com os ouvidos.

Subtexto stanislavkiano X contratexto (o que vai contra o sentido, o que está no subterrâneo)
-> repetição rítmicas, silabas com a intenção de perfurar; pronuncia cáustica. 
O corpo tem uma respiração e um grito.
Esquizofrenia.
Sacrifício de si pela busca.
Os duplos do teatro->A ciência, a alquimia, a metafísica, a peste.
(re) sacralização da cena.
->um regente demiurgo que reúna em suas mãos todos os poderes (manipulação direta do palco, autor
criador).
Acontecimento real em que a vida e a morte estão em jogo-rito-teatro.
O ator tem que provocar o transe, não experimenta-lo. 
O espírito do texto.
-comoção catártica do espectador pelo "encantamento". 
Atravessar o casco endurecido sob o qual as palavras aprisionam o homem.

Antonin Artoud
[Pesquisa  da Internet]

  Atormentado, louco, sensível, romântico. Artaud era um homem complicado e costumava andar sozinho. Aos 15 anos começou a tomar ópio para aliviar suas terríveis dores de cabeça, depois teve crises de depressão, passou por sanatórios e nunca mais conseguiu se livrar da droga.
 O seu trabalho inclui poemas em prosa e verso, roteiros de cinema, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, ensaios sobre cinema, pintura e literatura, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, notas sobre projetos não realizados, um monólogo dramático escrito para rádio, ensaios sobre o ritual do peyote entre os índios Tarahumara, aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores, e centenas de cartas que são a sua forma mais dramática de expressão. Nunca, em qualquer tempo, um escritor se mutilou tanto escrevendo na primeira pessoa, como em suas cartas.
Profeticamente leu e experimentou na década de 20 tudo aquilo que faria a cabeça da contracultura ocidental na década de 60, como o Livro Tibetano dos Mortos, livros de misticismo, psiquiatria, antropologia, tarô, astrologia, Yoga e acupuntura. Freqüentou os bares de Paris durante a grande festa da geração perdida nos anos 20 e 30, mas não badalava, costumava se sentar no balcão só. Sentia-se feliz em seu mundo de alucinações.
 Escritor, ator, dramaturgo, poeta maldito e visionário, nos anos 30 concebeu um teatro onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todo seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo. Ele queria devolver ao teatro a mágica e o poder do contágio. Queria que as pessoas despertassem para o fervor, para o êxtase. Sem diálogo, sem análise. O contágio estabelecido pelo estado de êxtase. Uma vez abolido o palco, o ritual ocuparia o centro da platéia; esse era o Teatro da Crueldade de Artaud.
 Ele foi encontrado morto em 4 de março de 1948, em seu quarto do hospício de Ivry, bairro de Paris. Estava aos pés da cama com um sapato na mão. Depois da morte passou a ser festejado como o homem que fez explodir os limites da vanguarda ocidental e até hoje ninguém o superou em seus conceitos e em sua loucura. A mesma violência agressiva que o prejudicou e o afastou de seu tempo produziu o sucesso póstumo de suas idéias e sua atual influência no teatro contemporâneo.
 

 *Porque será que alguém tão louco e tão distante de seu tempo, conseguiu influenciar toda a criação artística, filosófica e intelectual deste século e ainda hoje é um dos maiores referenciais para a atividade criadora ?
 Possivelmente porque da complexidade de seu trabalho e de sua vida não restaram apenas obras de arte, mas uma presença singular, uma poética social, uma estética do pensamento, uma teologia da cultura, uma fenomenologia do sofrimento e principalmente um grande desconforto no pensamento contemporâneo.
 
Ele era louco, sim, mas muito mais consciente que muitas pessoas medíocres dessa sociedade!

“A tragédia no palco não me basta mais, vou transportá-la para a minha vida”.
Antonin Artaud.

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